domingo, 23 de março de 2014

Um olhar sobre a Educação Escolar de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em construção



A educação das pessoas com surdez sempre esteve marcada pela grande discussão entre os defensores dos gestualistas e dos oralistas, para estes, o foco do sucesso ou fracasso escolar está em suas práticas pedagógicas específicas. O que se vê é na verdade a disputa sobre aceitação de uma ou outra língua.
A Política Nacional de Educação Especial na perspectiva inclusiva nos leva a ver a pessoa com deficiência como um ser com capacidade e com potencial, assim, não comungamos com a afirmação de que o problema de aprendizagem da pessoa com surdez está na língua. Mas, como afirma Damázio (2010) “[...] também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.” (DAMÁZIO, 2010, p. 47).
Pensar uma prática inclusiva para o ensino de pessoa com surdez é urgente; para construir essa prática pedagógica é necessário que o foco não esteja na deficiência, e sim no desenvolvimento das potencialidades desses alunos, que nos permita ver o aluno com surdez em sua singularidade e diferença.
Corroboramos com Damázio (2010) quando nos diz que “é necessário discutir que, mais do que uma língua, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva”. (DAMÁZIO, 2010, p. 48). Entendemos que todos dentro do ambiente escolar necessitam ser estimulados, desfiados.
O fazer pedagógico para os alunos com surdez numa escola inclusiva deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, isto é, um espaço que se utilize da Língua de Sinais e a Língua Portuguesa.  
O Atendimento Educacional Especializado para pessoa com surdez segundo Damázio (2010) “deve ser visto como construção e reconstrução de experiências e vivências conceituais” (DAMÁZIO, 2010, p. 49). O mesmo é composto de três momentos pedagógicos, que são: Atendimento Educacional Especializado em Libras, Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras e Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa.


Atendimento Educacional Especializado em Libras


O AEE em Libras precisa ser feito diariamente no turno contrário ao que o aluno estuda, devem ser usados muitas imagens e todo tipo de referências que visem ajudar o aluno na aprendizagem dos conteúdos curriculares.  Os professores do AEE em Libras devem registrar o desenvolvimento do aluno, fazer relação de todos os conceitos trabalhados, organizando a representação dos mesmos em forma de desenhos e gravuras, que devem ficar no caderno de registro do aluno.


Atendimento Educacional Especializado para o Ensino da Língua Portuguesa


O ensino que deve acontecer na sala de recursos multifuncionais e no contra turno ao que o aluno estuda e deve ser feito preferencialmente com um profissional que conheça os pressupostos linguísticos teóricos. O atendimento deve ser diário, e o professor necessita estimular diariamente o aluno, provocando-o a enfrentar desafios.  A escrita sempre vai estar presente no AEE para o Ensino da Língua Portuguesa, a avaliação deve ser processual, para que o professor possa visualizar os avanços do aluno e assim, poder redefinir seu planejamento quando necessário.


Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras


O AEE para o ensino de Libras deve ser iniciado com o diagnóstico do aluno e deve ocorrer diariamente o contra turno ao que o aluno estuda na sala regular. O atendimento deve ser feito por um professor e/ou instrutor de Libras de preferência que seja surdo, e ser realizado de acordo com o desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. O planejamento deve ser realizado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem sobre a Língua de Sinais.


Referência


DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.